Profundo como um pires

Esses dias eu tava conversando com o Igor, meu parceiro, sobre como as nossas discussões, no geral, se tornaram rasas. É engraçado como nosso comportamento mudou nos últimos anos e todo mundo começou a discutir sobre todo tipo de assunto, opinar e defender com unhas e dentes suas recém-formadas crenças.

Claro que começar a se engajar é muito legal e conversar também pode ser muito produtivo, mas a questão é que com uma ajudinha do google, todos se julgam conhecedores sobre os mais variados assuntos e acreditam que têm ferramentas suficientes para questionar verdades – até então – tidas como absolutas.

No Brasil, por exemplo, os debates em relação á política têm se tornado super acalorados e eu nunca tinha visto tanta gente palestrar sobre direita, esquerda, liberalismo…
Teoricamente isso é legal, né? Só que não. O negócio ficou tão feio que as pessoas, e até os políticos, começaram a disseminar versões de verdades e dados completamente absurdos. Poucas das pessoas que entraram nas discussões tinham de fato lido livros sobre qualquer assunto que tentavam opinar a respeito.

A mesma coisa o pessoal que começou a defender a não-vacinação. Isso aconteceu por causa de um movimento que se iniciou nos EUA, onde uma mulher questionou e iniciou uma teoria da conspiração sobre as indústrias farmacêuticas e seus interesses.

Não me levem á mal, eu sou a favor de todo tipo de questionamento. Todo!

Acho que devemos questionar mesmo.

Mas… acho que para chegarmos a uma conclusão precisamos estudar muito e com profundidade. Ler trabalhos científicos, e não desacreditá-los por causa de um bafafá na internet.
Precisamos nos aprofundar mais, ler mais livros e sair um pouco da bolha em que a internet nos coloca.
Vocês já assistiram o documentário sobre a terra plana, no Netflix? Eu recomendo.

E não é porque eu acredito nessa teoria não – o que a propósito eu não acredito – mas é porque ele me mostrou exatamente isso que tanto tem me incomodado.

A gente não tem mais conhecimento profundo sobre nada! A gente forma opinião e vive a vida baseado em coisas que descobriu em 15 minutos na internet.

A partir de agora fiz um compromisso comigo mesma de ler com mais profundidade sobre os temas que me interessam e não entrar em discussões que não me sinta preparada para argumentar. Ou pelo menos parar a hora que me faltar conhecimento.

Parece razoável?

Aos 33

Aos 33 – quase 34 – anos eu estaria bem resolvida.

Com certeza estaria bem colocada profissionalmente.

Aos 18 eu ainda não sabia o que eu queria, mas aos 33 de certo já saberia e seria referência em seja lá o que eu tivesse escolhido fazer.

Filhos. Também teria filhos, uma família, assim, pequena, mas bem feliz e estruturada. Sentaríamos todos juntos de manhã para tomar café e conversaríamos sobre as coisas importantes que iríamos fazer naquele dia.

Eu também teria me tornado uma pessoa disciplinada com minhas atividades físicas. Faria yoga e correria todos os dias. Viajaria á trabalho, podendo exercitar minha fluência nas diversas línguas que aprendi, pela simples paixão de aprender. Dentre elas, obviamente, o francês, língua pela qual sempre tive paixão, afinal, que garota que cresceu nos anos 90 não sonhou em morar na França e viver uma vida cheia de poesia e romance?

A verdade é que tenho 33 anos – quase 34 – e não tenho a menos ideia do que estou fazendo profissionalmente. Me mudei, por amor, diga-se de passagem, para a Alemanha em 2014, sem falar uma palavra de alemão e ainda não consegui me recolocar, de uma maneira satisfatória, na minha área – que é comunicação(!).

No inicio de 2015 engravidamos, de uma forma não planejada e procuramo acomodar nossa nova empreitada á nossa – até então – super limitada realidade.

Pra minha surpresa, ter um filho tá bem mais ligado à dedicação e amor do que a uma vida financeira estável. Ainda bem. Com uns ajustes aqui e outros ali conseguimos nos mudar para um cantinho maior.

Apesar da vida aqui ser bem mais ativa do que no Brasil, continuo sem uma rotina de exercícios. A paixão por aprender uma língua nova foi, aos poucos, diminuindo com a pressão de dominar o alemão enquanto gestei e cuidei do meu filho até seus, quase, dois anos de idade. Mas quer saber? Ok. Não foi França, foi Alemanha.

A família de comercial de margarina não é perfeita, mas é linda. E meu filho é totalmente perfeito e amado. Minha vida profissional ainda está bamba e meu alemão mais ainda, mas essa situação, ao mesmo tempo que me causa ansiedade, me puxa me tornar uma pessoa melhor.

Essas idealizações de que no futuro as coisas estarão perfeitas e que nós saberemos das coisas e estaremos satisfeitas, são papo furado. A maturidade leva tempo. Leva esforço e vontade de querer se melhorar e crescer.

Hoje eu realmente acho que a gente tem a realidade que a gente cria (luta). Claro que digo isso de um lugar extremamente privilegiado, e eu sei disso. Mas com passos de formiguinha continuo cavocando meu espaço por aí. E quem acha que morar fora é um conto de fadas, ou que ser mãe vai ser um sonho lindo e mágico, calma.

Tem muita fralda suja e noite mal dormida. Muita gente sem educação, ou melhor, sem compaixão, vai olhar na sua cara e dizer: por quê você não volta pra sua terra?

E tudo bem.

Claro, pode ser que você realmente queira isso, eu quis e quero, não me leve a mal. Mas toda decisão traz um monte de outras complicações e desafios. E é maravilhoso, mas também é cansativo. E tem dias que a gente só pergunta: putaqueopariu, o que é que eu to fazendo?

E tudo bem.

Bom sinal.

Enquanto a gente estiver parando, fazendo um “check” consigo mesma e ajustando as prioridades e as novas necessidades para continuar seguindo pro lado que a gente quer, tá tudo certo.

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